Grandes nomes da escrita feminina se reúnem na Caixa Cultural

De 2 a 12/5 (terça a sexta-feira), a Caixa Cultural do Rio recebe o ciclo de debates Língua Afiada: escritoras tomam a palavra. Serão oito palestras tratando de temas atuais e importantes do universo da escrita feminina, como desejo, prostituição, homossexualidade, amor, maternidade, e violência na ditadura e na cultura patriarcal.

O evento abre com Nélida Piñon, primeira mulher a presidir a Academia Brasileira de Letras. Além dela, a escritora e filósofa feminista Marcia Tiburi, a ativista do movimento negro e também escritora Conceição Evaristo, a premiada autora Beatriz Bracher e a curadora Guiomar de Grammont estão entre as palestrantes convidadas. O projeto inclui escritoras de outros países falantes da língua portuguesa

Ações combativas e mitos que ligam a mulher ao desequilíbrio, pecado e perigo pautam os debates. Referenciando escritoras atuais, falecidas ou pioneiras, todos partem de temas abrangentes: a velhice em Clarice Lispector; a sexualidade em Hilda Hilst, a política em Beatriz Bracher, a pornografia em Adelaide Carraro, para discutir questões atuais. Na única mesa sobre um escritor, que acontece no dia 3/3, a presidente da Fundação Casa de Rui Barbosa, Marta de Senna, trata de Machado de Assis, cujas maiores interlocutoras eram mulheres. No dia 5/5, os professores eméritos Jorge Fernandes da Silveira e Laura Padilha abordam o corpo textual e o corpo sociopolítico em Portugal e na África das guerras anticolonialistas.

A entrada é gratuita, com distribuição de senhas uma hora antes de cada debate. Confira abaixo a programação completa, sempre às 18h30:

– 2 de maio (terça-feira): A paixão da escrita
Reflexão sobre o ofício de ser escritora e sobre processo de criação, com as operações complexas entre ficcional, memória e contexto social, cultural, econômico e político.

Com: Nélida Piñon – escritora
Mediação: Clarisse Fukelman

– 3 de maio (quarta-feira): Moralidade e tradição: suplícios oitocentistas e vozes femininas
Em Machado de Assis, a crítica social ao patriarcalismo se expressa nas personagens femininas e na interlocução com a leitora de ficção. Já a pressão social sobre a mulher intelectualizada e autônoma é tema das pioneiras Maria Benedita Bormann e Albertina Bertha.

Com:
Marta de Senna – doutora em Literatura, presidente da Casa de Rui Barbosa e autora de O olhar oblíquo do Bruxo e A ilusão e zombaria.
Anélia Pietrani – professora na Faculdade de Letras da UFRJ, coordenadora do Núcleo Interdisciplinar de Estudos da Mulher na Literatura (FL/UFRJ).
Mediação: Maria Cristina Ribas

– 4 de maio (quinta-feira): Expressões libertárias: anarquismo e literatura erótica e pornográfica
Práticas sexuais interditas motivam obras de Hilda Hilst, Adelaide Carraro e Cassandra Rios, as “maiores pornógrafas da literatura brasileira”. Por outro lado, a fala anarquista de Maria Lacerda de Moura (1887-1945) inclui debate sobre amor livre.

Com:
Carla Rodrigues – professora doutora do IFCS/UFRJ, Coordenadora do laboratório Escritas – filosofia, gênero e psicanálise (CNPq). Autora de Coreografias do feminino.
Margareth Rago – professora titular de História na UNICAMP, autora de Feminismo e Anarquismo no Brasil.
Rodolfo Londero – Jornalista, professor adjunto da UEL e pós-doutor especializado em teorias da publicidade, ficção cyberpunk e pós-modernismo.
Mediação: Adriana Azevedo

– 5 de maio (sexta-feira): Territórios de afetos: poetas em países de língua portuguesa
Consciência da escrita e erotismo movimentam o trabalho das poetas portuguesas Fiama Hasse Paes Brandão e Luiza Neto Jorge. Serão abordados também o corpo textual e o corpo sociopolítico no cenário da guerra anticolonialista na África, na obra de Alda Espírito Santo e Paula Tavares e Noêmia de Sousa.

Com:
Jorge Fernandes da Silveira – Professor Emérito da UFRJ, autor de Escrever a casa Portuguesa; Luiza Neto Jorge: 19 recantos e outros poemas.
Laura Padilha – professora Emérita da UFF. Autora de Lendo AngolaEntre voz e letra: O lugar da ancestralidade na ficção angolana do século XX.
Mediação: Claudia Chigres

– 9 de maio (terça-feira): Políticas disciplinares: autoritarismo, liberdade e autoconhecimento
Memória e trauma conduzem narrativas que encenam o impacto emocional e cultural da ditadura militar e também narrativas de autoconhecimento que buscam, através da palavra, a superação da violência real e simbólica.

Com:
Beatriz Bracher – escritora, prêmios São Paulo Literatura 2016, Rio de Literatura 2015, Clarice Lispector 2009 e APCA 2013.
Marcia Tiburi – professora doutora da UNIRIO, artista plástica, finalista prêmio Jabuti com o romance “Magnólia”.
Mediação: Ana Chiara

– 10 de maio (quarta-feira): Armadilhas do tempo
Juventude e velhice na mídia e na literatura. Estereótipos criam dramática descontinuidade entre gerações. Na atualidade, a jovem ocupa a centralidade no discurso midiático, mas na condição de objeto. Na literatura, Clarice Lispector conecta-se a autoras que denunciam o controle da voz e da sexualidade da mulher idosa.

Com:
Clarisse Fukelman – professora doutora no Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio e autora de Eu assino embaixo: biografia, memória e cultura.
Adriana Braga – professora no departamento de Comunicação Social da PUC-Rio, autora de Personas Eletrônicas: feminilidade e interação no blog.
Mediação: Maria Antonieta Jordão

– 11 de maio (quinta-feira): A cor da pele e a educação para a diversidade de sexo e gênero
Escritoras negras pioneiras no debate da discriminação racial ecoam na ficção de Conceição Evaristo. Projetos educativos inclusivos, articulados a estudos feministas, contemplam processos de subjetivação diferenciados.

Com:
Conceição Evaristo – escritora, doutora em Literatura Comparada, prêmio Jabuti 2016.
Fernando Pocahy – professor doutor na faculdade de Educação da UERJ, coordena o Grupo de Estudos em Gênero, Sexualidade e(m) Interseccionalidades na Educação e(m) Saúde.
Mediação: Giovanna Deltry

– 12 de maio (sexta-feira): Profissão escritoras
Depoimentos de escritoras de diferentes gerações sobre a própria obra, a questão do feminino e feminismo e canais para difusão de seus trabalhos.

Com:
Guiomar de Grammont – professora doutora da UFOP, Prêmio Cesgranrio e Casa de las Américas.
Simone Campos – escritora, tradutora, doutoranda pela UERJ, semifinalista do Prêmio Oceanos 2014.
Susana Fuentes – poeta, ficcionista, dramaturga, Doutora em Literatura Comparada. Finalista do Prêmio São Paulo de Literatura 2011.
Mediação: Clarisse Fukelman

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Ciclo de palestras Língua Afiada: escritoras tomam a palavra
Quando: 2 a 12/5/2017, sempre às 18h30
Quanto: Entrada franca, com distribuição de senhas uma hora antes de cada debate
Onde: CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Cinema 1: Av. Almirante Barroso, 25 – Centro (Metrô e VLT: Estação Carioca)
Telefone: (21) 3980-3815
Lotação: 78 lugares (mais 3 para cadeirantes)
Classificação Indicativa: Livre
Acesso para pessoas com deficiência

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Mulheres e tecnologia em debate em Botafogo

A RodAda Hacker é uma rede focada no estímulo à apropriação de novas tecnologias por meninas e mulheres, que se baseia na realização de oficinas colaborativas especialmente desenhadas para o público feminino.

O quarto encontro no Rio acontece nesta quarta-feira, 13/4, às 19h, no Olabi Makerspace, em Botafogo. O encontro terá palestra de Silvana Bahia, que alia feminismo, tecnologia e diversidade, e é facilitadora da RodAda Hacker .Esta edição contará também com rodada de Pitchs de um minuto (inscrições aqui) e parceria do Senac.

A entrada é gratuita, basta se inscrever aqui.

Os encontros acontecem desde 2012 em diversas partes do país, e são voltas para quem quer imaginar e construir projetos incríveis e recriar tecnologias da rede.

O Olabi fica na Rua Barão de Lucena, 85A – Botafogo.

O Girls in Tech (GiT) é uma iniciativa global sem fins lucrativos que busca promover o engajamento de mulheres que lidam com novas tecnologias. Composto por profissionais com capacidade para inspirar e liderar, é objetivo do grupo incentivar o crescimento da presença de mulheres inovadoras e empreendedoras no ambiente de tecnologia, criando condições para que tenham sucesso e que assumam posições de destaque nesse ecossistema.