#8M Festival em Petrópolis celebra a luta feminista com música, fotografia e cinema

Como lugar de mulher é onde ela quiser, neste fim-de-semana (9, 10 e 11/3) a cidade de Petrópolis recebe o Festival Las Mariposas, o primeiro festival protagonizado por mulheres na cidade. Celebrando o Dia Internacional da Mulher, o evento quer chamar debater o tema da violência contra a mulher numa perspectiva de superação.

A programação é toda gratuita e acontece na Cervejaria Bohemia. Para a primeira edição do evento vai rolar exibição de filmes, mostra de fotografia e debates sobre temáticas feministas, como visibilidade lésbica e participação das mulheres na política e na mídia. E contará com a minha participação! Para além do Rio de Graça, sou pesquisadora e atuante na causa feminista, e estarei por lá debatendo essas questões.

A Banda Pagu vai apresentar um tributo a Rita Lee. Já a Dj Mayara Mello vai agitar a pista com o set “Rodando a Saia”. A exposição fotográfica “Elas” contará através das lentes da fotógrafa Ana Clara Silveira a história de superação de seis mulheres petropolitanas que passaram por situação de violência.

A programação de filmes foi selecionada pelo coletivo feminista Manashota que vai trazer para o debate a representação da mulher na mídia e o apagamento de sua participação nas produções audiovisuais e também, discutirá formas de lutar cotidianamente contra o machismo com redes de apoio entre mulheres.

No sábado (10/3), acontece exibição de filme e a roda de conversa “Por que calar se eu nasci gritando?”, onde o preconceito será discutido com a participação de Carla Coelho (jornalista), Clátia Vieira (coordenadora do Fórum de Mulheres Negras do Estado do Rio de Janeiro) e Aline Miranda (@outrasbagatelas que também escreve por aqui!).

No domingo (11/03), a partir das 11h, vai rolar intervenção poética com o Slam Liberdade – Sarau de Poesia Arte é Resistência. E às 15h, filme seguido de debate sobre formas de resistência e rede de apoio para mulheres, com a exibição do filme “Mulheres Divinas”, seguido de debate com Daniela Brum (criadora do @feminiismo) e Bárbara Secco (sim! Eu mesma! Esta editora que vos escreve), falando sobre minhas pesquisas acadêmicas sobre o espaço das mulheres na mídia.

Durante o evento, será lançada a plataforma digital Las Mariposas, uma parceria com agência Uaal, que proporcionará o encontro entre mulheres produtoras de cultura e arte para o desenvolvimento de seus trabalhos.

O Festival Las Mariposas, da produtora AzCarolinas e com participação do coletivo Manashota.

Para quem curtiu o evento mas mora no Rio, que tal um bate-e-volta para a Serra? Petrópolis fica a 64 km do Rio, e a passagem de ônibus custa, em média R$27. 😉

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Festival Las Mariposas
Onde: Cervejaria Bohemia – Rua Alfredo Pachá, 166, Petrópolis
Quando: 9, 10 e 11/3
Quanto: toda a programação é gratuita

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Porque ainda precisamos falar sobre o feminicídio

Sei que muitas pessoas, só de ler este título, ensaiaram um bocejo e pensaram “aii, lá vem textão mulher mimimi violência mimimi machismo”. Pois, sim. Mais um texto disso. Já se passaram mais de dois mil anos que Jesus esteve por aqui, mais tantos mil anos antes dele e ainda temos que falar sobre a morte de mulheres por elas serem… mulheres.

O México. Segundo país mais populoso e segundo maior PIB da América Latina. Uma das maiores economias do mundo e uma potência regional (palavras do wikipedia, veja aqui). Dentro do México há Ciudad Juárez, com 2,6 milhões de habitantes. Fronteira com Texas e conhecida por ser a “Faixa de Gaza mexicana”. Lá também é um polo de indústrias de tecnologia. Por lá, um computador é feito a cada cinco segundos. Um celular criado a cada dois segundos. E uma mulher morta a cada três horas.

Pode-se dizer, então, que Ciudad Juárez é um polo de indústrias de tecnologia e de feminicídio. Em Ciudad Juárez ser mulher é sentença de morte. O papa Francisco passou por lá este ano e falou sobre o número alarmante de mulheres mortas, violentadas, abusadas e agredidas por lá. (Mais sobre Ciudad Juárez aqui e aqui)

O Brasil. O país mais populoso e com maior PIB da América Latina. Uma das maiores economias do mundo e uma potência regional. Dentro do Brasil há a Ilha de Marajó, Lá, meninas de até sete anos são estupradas diariamente. A situação é tão comum que já há nome para isso: meninas balseiras (leia matéria aqui). No Brasil, uma mulher é morta a cada cinco horas.

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Cena do espetáculo “Bonecas Quebradas”, sobre o feminicídio no México

Feminicídio é algo que vai além da misoginia, criando um clima de terror que gera a perseguição e morte da mulher a partir de agressões físicas e psicológicas dos mais variados tipos, como abuso físico e verbal, estupro, tortura, escravidão sexual, espancamentos, assédio sexual, mutilação genital e cirurgias ginecológicas desnecessárias, proibição do aborto e da contracepção, cirurgias cosméticas, negação da alimentação, maternidade e esterilização forçadas.

México. Brasil. Países com realidades distintas, mas destinos iguais. Mulheres de lá e mulheres daqui convivendo com o terror da violência, do medo, da falta de perspectiva de um futuro melhor. Mas as mulheres de lá e as daqui não se calam. Se unem, gritam mais alto e mostram ao mundo essa realidade tão terrível.

Aqui no Rio está em cartaz a peça “Bonecas Quebradas”, que trata sobre os casos de Ciudad Juárez. Sobre os casos do Brasil. Sobre todas nós. Depois de assistir ao espetáculo, tive vontade que todos os homens assistissem também. Meu pai, meus professores, meus ex namorados, amigos, colegas de trabalho. Porque sinto que algumas coisas só são sentidas quando vistas de outras perspectivas. E um palco faz isso, nos dá outras visões, outras interpretações.

Todos e todas convidados. Porque estamos em 2016 e ainda precisamos falar sobre feminicídio.

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Bonecas Quebradas
Onde: Espaço Cultural Sérgio Porto – Rua Humaitá, 163.
Quando: até 22/8, quinta a segunda-feira (quinta a sab às 2h, domingo e segunda às 20h. Dia 20/8 tem sessão extra às 16h30)
Quanto: R$20 inteira / R$10 meia e lista amiga (bonecasquebradasteatro@gmail.com)