Descobrindo a Arara Garimpo, o brechó online com curadoria fashion e pegada sustentável

Passado o carnaval, 2017 enfim começou trazendo com ele um mundo cada vez mais alternativo, que usa a tecnologia para, enfim, aproximar. Estamos sempre em movimento, criando, mudando e nos desenvolvendo. A web é palco de encontros e trocas.

E essa mudança chegou também na moda. A ideia de dar uma vida útil maior às roupas e romper com o ciclo de consumo de moda sazonal é uma tendência mundial, que aos poucos se fortalece também no Brasil. E foi nesse cenário mutante e agregador que a Carolina Lacerda e o Rodrigo Cavassoni criaram a Arara, um brechó com curadoria de estilo, e online! Conversamos com o casal sobre moda, inovação, sustentabilidade e, claro, tempos de crise!

Confira esse encontro na entrevista abaixo:

RDG – A Arara parte de uma premissa comum – um brechó ou bazar de roupas – mas, ao mesmo tempo, traz uma proposta diferente, ao criar uma espécie de curadoria para as peças. Por que optaram por não fazer um brechó tradicional?

Arara – A cultura de brechó é algo que existe faz tempo, mas no Brasil a ideia de um brechó que seja realmente bacana ainda não é muito difundida. As pessoas associam roupas de segunda mão a coisas velhas, tem gente até que associa roupa de brechó à roupa de defunto (risos). No exterior, principalmente em países da Europa, você vê facilmente brechós que mais parecem lojas de luxo, onde encontramos peças de desejo, em perfeito estado e com preço justo.

Na Arara nosso maior trabalho é mostrar para as pessoas que roupa de brechó pode, sim, ser muito boa. Não é por que alguém não quis mais uma peça de roupa que essa peça é necessariamente ruim. Podemos encontrar tesouros nos armários dos outros! Nosso desafio é, então, tirar a cara de “velho” do brechó, e é aí que entra a curadoria. É imprescindível que as peças estejam em excelente estado, além de serem facilmente inseridas na moda atual.

De onde vem a ligação com a moda?

Eu sou formada em Letras e o Rodrigo é engenheiro, mas sempre nos interessamos por design, moda e estética de uma maneira geral. E a Arara acabou sendo onde a nossa veia criativa pode falar mais alto. Além disso, nós sempre gostamos de comprar em brechó. Acho que poucas coisas me deixam mais feliz quando estou viajando do que encontrar uma loja toda entulhada de roupa (risos). Garimpar sempre foi um hobby.

Fique ligado(a) no Facebook do Rio de Graça, em breve sai
uma promoção em parceria com a Arara!

Como surgiu a ideia da parceria?

Arara – A parceria surgiu com a insatisfação em nossas carreiras e da necessidade de gerar uma renda alternativa. Eu comecei vendendo roupas minhas em sites tipo marketplace e percebi o potencial do mercado de segunda mão na internet. Logo abri, em parceria, um pequeno brechó online. Depois de um ano com o negócio, não conseguia tocar, sozinha, a empresa. Foi nesse momento que o Rodrigo uniu suas forças comigo e começamos a trabalhar juntos. A parceria deu super certo e resolvemos dar um passo à frente: fechamos a empresa antiga e, alguns meses depois, inauguramos a Arara.

Como é feita a seleção das peças? E vocês fazem bazares físicos?
 
Estar em bom estado é crucial. Além disso, outros pontos como estilo, marca e modelagem são levados em consideração na seleção das peças. Estamos sempre marcando presença em mercados e feiras de moda, porque o contato com o público é muito importante, principalmente em se tratando do mercado de segunda mão, muitos clientes ainda preferem comprar ao vivo.
Como vocês trabalham para tirar esse preconceito de pessoas que ainda acham que comprar usado não tem o mesmo valor que comprar um produto novo?
 
Olha, é osso! Nós estamos sempre produzindo conteúdo a respeito do consumo de segunda mão para nosso blog, dentro do site. Mas acredito que o que mais faz diferença é a relação que a roupa de brechó pode ter com a moda e buscamos mostrar isso o tempo todo. O que mais convence quem tem preconceito é ver que as peças, de fato, têm aspecto de novas e são artigos da moda atual.
“As crises financeiras fazem com que busquemos alternativas
e ótimas oportunidades podem surgir a partir disso”
Muita gente está investindo em negócios próprios, mesmo com a crise. É o primeiro negócio de vocês? Como estão sentindo a recepção das pessoas?
A recepção é boa, mas todo novo negócio passa por suas dificuldades, principalmente no início. Já tive duas empresa antes da Arara e percebo muita melhora desde então – a experiência faz toda a diferença. Como trabalhamos com produtos mais baratos, a crise, na verdade, está do nosso lado, pois o consumidor que adquire roupas num brechó tem um poder de compra relativamente maior. Em geral, tenho visto que os empreendimentos aumentam; tenho vários amigos abrindo negócios, apesar da falta de incentivo fiscal e de todas as dificuldades.
“O desafio de encontrar peças legais em bazares e brechós tradicionais é justamente ter um olhar mais voltado para a moda, para achar aquelas peças que tem valor estético na atualidade”
Vocês participam de outras formas inovadoras de comércio justo? 
 
Nós fazemos uso da economia colaborativa, principalmente com as facilidades que o mercado de hoje oferece, como o AirBnB e o DogHero, por exemplo. Além disso, procuramos sempre consumir de formar alternativas, em vários âmbitos. Recentemente nos mudamos e mobiliamos praticamente toda a casa com móveis de segunda mão. Também compramos queijo e manteiga de pequenos produtores da Serra da Canastra, legumes na feirinha de orgânicos, onde temos a oportunidade de conversar com quem planta. Hoje feiras como a Junta Local facilitam muito essa troca. Também trocamos serviços com frequência. Precisamos de uma consultoria jurídica há um tempo atrás e, em troca, passamos o dia na casa da nossa advogada ajudando a organizar o closet dela.
Outro facilitador de trocas são os grupos do facebook. Eu participo de um grupo de doação de probióticos, no qual a mediadora organiza trocas pelo Brasil inteiro. Eu já recebi uma muda de Jun de uma pessoa que me enviou pelo correio de Santa Catarina e já doei kefir de leite para algumas pessoas. Fico feliz de ver que cada vez mais ações que estimulam o consumo sustentável estão se tornando comuns, aproximando mais as pessoas e nos tornando mais conscientes.
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Fotos: Divulgação Arara
Você também ficou com vontade de ser amigo(a) deles e chamá-los para arrumar seu armário? Confira o garimpo bacana no site da Arara, na página deles no Facebook e no Instagram.
Você tem algum projeto legal, inovador e carioca? Conta pra gente: riodigratis@gmail.com

 

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Mobilidade carioca – como funciona a nova malha metroviária pós Olimpíadas

Um dos grandes dilemas do carioca sempre foi a dificuldade de circulação dentro do Rio. Malha metroviária muito pequena, trens em condições péssimas, ônibus que levam horas para chegar a seu destino… Enfim, sempre é muito difícil para a gente fazer um trajeto de longa (e até mesmo média) distância.

Um dos legados das Olimpíadas por aqui foi a reformulação no traçado de mobilidade urbana da cidade: vias expressas de BRT (Bus Rapid Transit ou Transporte Rápido por Ônibus), mudanças nos trajetos das linhas de ônibus que circulam pela Zona Norte, Zona Sul e Centro, melhoria nos trens e estações e a tão aguardada Linha 4 do metrô, ligando a Zona Sul à Barra da Tijuca.

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Foto: Site BRT Rio

O nosso BRT é inspirado no modelo de sucesso que funciona em Curitiba, cidade exemplo de modalidade urbana no Brasil. Os corredores expressos cortam pontos importantes, que sofriam muito com a dificuldade de locomoção por conta de engarrafamentos gigantescos (chegando esses a ultrapassar os de São Paulo nos últimos anos).

Já implantado, este transporte reduziu o tempo de viagem de muita gente, principalmente trabalhadores que moram distante de seus empregos. Ainda a ser inaugurado, o BRT da Av. Brasil será mais um marco, melhorando a fluidez na circulação na principal via expressa municipal.

A abertura da Linha 4 do metrô também facilitou a vida de quem faz o trajeto Centro-Zona Sul-Barra, diminuindo consideravelmente o tempo perdido em engarrafamentos diários.

Essas mudanças, além de facilitar a vida do trabalhador, também ajudará turistas a circularem pela cidade e, até mesmo, nós, moradores, a chegar a pontos distantes.

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Foto: G1

Quem também chegou e já está abalando é o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), sensação durante os Jogos Olímpicos. A leveza do transporte está em propiciar menor consumo de energia e acessibilidade. Sem catracas, o pagamento é feito dentro dos trens, o que traz para a cidade aquela sensação de “civilidade” que todo mundo sente ao viajar para grandes cidades que possuem o mesmo sistema de cobrança.

 

Mais que uma ligação da rodoviária para o aeroporto Santos Dumont (até porque ele não é muito rápido), o VLT está nos fazendo descobrir um Centro por vezes desconhecido. A Orla Conde (que sempre será chamada de Boulevard Olímpico) ganhou vida e, independente do dia, há pessoas passeando no local graças ao VLT.

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A malha do transporte público carioca

Nossa malha metroviária está se tornando, a cada dia, mais eficiente. O transporte sempre foi uma das maiores reclamações de moradores e visitantes. Agora, aos poucos, esse legado de melhoria se torna real, nos ajudando a circular por todas as áreas da cidade, deixando carros na garagem e conectando uma cidade, por anos, partida.

Mais informações:
BRT Rio
Metrô Rio
VLT Rio
Super Via (trens)
Rio Ônibus

Texto: Will Senter