Greve de 1979 é tema de peça que vem lotando sala de teatro do CCBB

Passado Presente

Prepare-se para três horas de mergulho dentro da greve dos metalúrgicos do ABC paulista de 1979. Conheça as reivindicações, assembleias e atos por quem os fez. A História costuma contar os fatos a partir de um ponto de vista distante do ocorrido, através do olhar externo, observador.

A aclamada Companhia do Latão – cuja uma de suas bases é dar luz aos problemas sociais do Brasil – nos dá a oportunidade de aprender a história brasileira pela voz de quem a construiu. Após temporada em São Paulo e apresentações em Salvador, Natal, Recife e Belo Horizonte, o espetáculo “O Pão e a Pedra” segue em temporada até 13/2 no CCBB do Rio de Janeiro.

O cotidiano de operárias e operários em cena. Suas vidas, expectativas e desejos. Os diferentes pontos de vista dentro do movimento. As articulações, debates, o apoio dos estudantes, de parte da Igreja Católica e da sociedade. Com uma profunda pesquisa em livros, artigos, filmes, documentos e entrevistas, a Companhia apresenta este mundo do trabalho nas fábricas, revisitando este momento da greve histórica. A obra é, portanto, fundamental para entendermos o período político sombrio e efervescente que estamos vivendo.

Através de elementos realistas, vemos a construção das cenas, tanto na cenografia quanto na dramaturgia. Há música ao vivo, elemento importantíssimo. Há troca de personagens. Canto, riso, choro. Entre drama e comédia, as soluções cênicas são várias e criativas ao se tratar de um assunto tão denso. A plateia ri das cenas mais descontraídas e torce pelos personagens.

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Versos de Vinícius de Moraes são entoados: “O que via o operário/O patrão nunca veria./(…)E em cada coisa que via/Misteriosamente havia/A marca de sua mão/E o operário disse: Não!”. Em dado momento, em cena que operárias escutam uma importante assembleia pelo radinho, ouve-se parte do discurso original daquele que foi a grande liderança sindical e que, anos mais tarde, viria a tornar-se presidente do Brasil. É emocionante.

Passamos tantas horas naquele teatro, que nos sentimos parte do movimento, queremos votar as questões, aplaudir os discursos. No dia do falecimento de Marisa Letícia Lula da Silva a sessão foi dedicada à memória dela, sua vida e luta.

A condição de vida e trabalho das mulheres também é posta em debate. Uma das personagens disfarça-se de homem para conseguir melhor salário e sustentar a si e a seu filho, sozinha. Outra, militante, emprega-se na fábrica para participar de perto da luta. E há a que esconde a gravidez para que não a demitam. Greve, desigualdade social/econômica/de gênero, violência policial e militar, Fiesp, ditadura, grande mídia, a força da união, mobilização, perseguições, as lutas específicas como a luta de todo o povo brasileiro, “a miséria do capital”. O que, desde então, mudou?

A Companhia do Latão completa 20 anos de existência neste ano de 2017. O espetáculo foi criado nos primeiros meses de 2016 – eles avisam logo de início. As sessões seguem lotando. E nós, saímos do teatro com – mais que uma sensação – a certeza de que a luta é necessária e continua. E que é preciso não esquecer o passado para não sucumbirmos no tempo presente.

Aline Miranda
página oficial

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O Pão e a Pedra
Onde: 
Centro Cultural Banco do Brasil, teatro III: Av. Primeiro de Março, 66, Centro.
Quando: Até 13/2, quarta a domingo às 19h30.
*Duração: Dois atos totalizando 170 minutos (ato I: 1h35 / intervalo: 15 min /ato II: 1h).
Quanto: R$ 20 (inteira) / R$10 (meia) * Estudantes, idosos e clientes Banco do Brasil pagam meia!
Telefone: 3808-2020
Classificação etária: 16 anos

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Diários em cinema e cena na Caixa Cultural

Você já teve um diário? Já escreveu em agendas, cadernos de memórias, blogs na internet? E nas redes sociais, você fala de si?

Buscando trazer luz aos temas da “exposição pública do íntimo” e da “tensão entre a vida pública e a privada”, a mostra Diários: do segredo á revelação traz para o público filmes e atividades relacionadas às narrativas pessoais. Além da discussão e reflexão desses temas, temos a oportunidade de olharmos a história do mundo e as emoções humanas através da pluralidade de olhares pessoais. Particularmente, já que estamos falando de diários, assisti a um filme, uma leitura dramatizada e uma aula da oficina de escrita. O público em média nas três atividades foi de 25 pessoas atentas e participativas.

Assisti ao filme “Memórias do Cárcere” (1984), de Nelson Pereira dos Santos, cuja história é baseada na obra de mesmo nome de Graciliano Ramos. O escritor e então político de Alagoas foi preso pela Ditadura de Getúlio Vargas por ir contra as imposições do governo. No cárcere (incluindo a desumana Colônia Penal de Ilha Grande), Graciliano escreveu seu romance sobre tudo que viveu e viu nesse período. As três horas de filme (raridade nos tempos fast que vivemos) são uma oportunidade de olharmos para questões passadas e atuais de nosso país. O que ficou? O que mudou? Neste domingo, às 14h, haverá exibição novamente do filme.

Aproveite o final de semana para esta imersão íntima! Além da mostra “Diários”, há uma exposição de lindos e criativos brinquedos feitos a mão, exposição fotográfica de Alair Gomes e outra mostra de cinema. No dia 18/01 haverá a Sessão Resistências, às 16h30, dentro da mostra “alô alô mundo!”.

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A Caixa Cultural conta com wi-fi, guarda-volumes, piano disponível ao público e um Café com guloseimas, delícias e a gentileza de Carla, que recebe a todxs muito simpaticamente (raridade também no atendimento carioca). Há clientes que a esperam chegar para saborear o café (R$5) com uma boa conversa. Experimente o chocolate quente (R$6) e o croissant quentinho (R$5). Ah, e não esqueça de levar agasalho! Nas salas de cinema faz frio.

ps: O que você anda pensando sobre si? Sobre o mundo? Experimente escrever! Como a curadora Betch Cleinman relembra no catálogo da mostra, já dizia a canção: “Existirmos: a que será que se destina?“.

 

Dia 14 Sábado
11h – Oficina de Narrativas Pessoais
14h – Caro Diário (filme)
16h – A Inglesa e o Duque (filme)
18h30 – Cinzas / O Filmador (filmes)

Dia 15 Domingo
14h – Memórias do Cárcere (filme)
17h30 – Walden: diários, notas, esboços (filme)

Serviço
Mostra “Diários: do segredo à revelação”
Até 15 de janeiro de 2017
Caixa Cultural: Almirante Barroso, 25, Centro.
Horário: terça a domingo, das 10h às 21h.
Entrada, filmes e palestras dessa mostra: Gratuita !
Mais informações: www.solardasmetamorfoses.com.br/diarios
www.facebook.com/CaixaCulturalRiodeJaneiro

Aline Miranda
fb/alinemirandapoeta
poeta, escritora, oficineira
e mestre em Literatura, Cultura e Contemporaneidade
p
ela PUC-Rio com estudo em escrita de si na internet.

 

Comida, cultura e dignidade: como funciona o Refettorio Gastromotiva

Nesta segunda-feira (5/12) comemora-se o Dia Internacional do Voluntariado. A data simboliza a dedicação de milhões de pessoas que, diariamente, doam um pouquinho (ou um montão) do seu tempo às causas sociais, pela vontade de ajudar e tornar o mundo um lugar mais amigável para todos. Para comemorar a data, começo meu projeto pessoal de apresentar iniciativas bacanas que estão acontecendo pela cidade e que são feitas com voluntários! Cheguem mais, abram corações e mentes e descubra como é bom ser do bem! 😉

Um das iniciativas mais legais que a cidade do Rio recebeu neste ano foi o Refettorio Gastromotiva. A ideia do restaurante é simples e incrível: fornecer um jantar gratuito e de qualidade para quem não poderia pagar por isso. Já falamos sobre o projeto na época da abertura, leia aqui.

Consigo ler daqui as perguntas que estão passando pela sua cabeça, e trago a resposta para todas elas:

Da onde vem a comida?
Tudo é feito com alimentos que seriam descartados por supermercados e restaurantes.

Quem come?
O jantar é oferecido, de segunda a sexta, para cerca de 70 pessoas em vulnerabilidade social, que são acolhidas por entidades parceiras, como a Secretaria de Assistência Social, abrigos municipais e o coletivo Casa Nem, por exemplo.

Quem cozinha?
Chefs dos melhores restaurantes da cidade, que levam sua equipe, montam um cardápio e cozinham de graça. Além deles, há uma equipe fixa no local, que faz toda a logística para dar tudo certo, diariamente.

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Na noite que participei, a cozinha foi comandada pelo chef Emiliano Sabino, do Hotel Hilton./Fotos: Refettorio Gastronomia e Rio de Graça

Quem serve os convidados?
Qualquer pessoa que quiser se voluntariar, no caso, nós!

Onde funciona?
O Refettorio fica na Lapa, num espaço cedido pela prefeitura que se transformou em um galpão com restaurante, cozinha profissional, escritório e espaço para eventos.

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Lindo, né?

E como o local se sustenta? 
A parceria e apoio de empresas, além de doações e trabalho voluntário de muita gente legal.

Tudo começou com o inovador David Hertz, criador da Ong Gastromotiva, dedicada à capacitação de jovens em vulnerabilidade para trabalhar em restaurantes. David, que é chef de cozinha, trouxe para o Rio conceito do Refettorio Ambrosiano, criado pela ONG Food for Soul, de Massimo Bottura, o aclamado chef italiano, considerado o melhor do mundo!

A partir de muitas parcerias, a versão brasileira do Refettorio ficou pronta durante as Olimpíadas, e chamou a atenção de todo o mundo. Cozinharam no local chefs como Alex Atala, Alain Ducasse, Claude Troisgros e Roberta Sudbrack. Mesmo depois dos Jogos, o local continuou a receber apoio de muita legal, que se voluntaria para trabalhar cozinhando e servindo as dezenas de convidados que passam por lá diariamente.

E eu fui uma dessas pessoas! 🙂

Já achava o projeto lindo e queria muito conhecer de perto como tudo estava funcionando depois das Olimpíadas. E o trabalho está incrível!

Para começo de conversa, a Gisele, assistente social responsável pela área dos voluntários, é uma pessoa sensacional (agradeço a paciência dela e da Mari em responder as dezenas perguntas que fiz! ❤ Sabem como é jornalista, né…). Mesmo quem não tem experiência com cozinha pode participar! Eu e mais cinco voluntários fomos recebidas poe ela, que nos explicou t-u-d-o sobre o projeto e sobre o trabalho que iríamos realizar.

Nossa missão: servir os 70 convidados da noite: entrada + prato + principal + sobremesa (veja nas fotos que lindeza de pratos!) . O cardápio foi criado pelo Emiliano Sabino, chef executivo do hotel Hilton, da Barra da Tijuca. Os convidados da vez eram jovens e adultos em situação de rua.

Aprendemos rapidamente a dinâmica de entrada e saída das refeições, tiramos dúvidas, ficamos com um friozinho na barriga e fomos para os nossos postos de trabalho. O processo do jantar dura cerca de uma hora e é incrível. Acho o ato de cozinhar para alguém uma espécie de entrega e doação. E participar deste momento, servindo um bom jantar para quem, tantas vezes, é invisível para a sociedade, é uma experiência única e transformadora. Ao final do jantar, voluntários e equipe podem jantar e conversar sobre suas experiências. ❤

Às vezes a gente sonha em mudar o mundo e esquece o poder transformador das pequenas ações. Tratar bem quem está perto de nós, enxergar o próximo como cidadão e ceder um pouco da gente para ajudá-lo, seja como for. O trabalho voluntário nos mostra que é possível ajudar além da doação de dinheiro. A doação do tempo muitas vezes é mais importante, já que empresas, por exemplo, podem contribuir financeiramente, mas o esforço e a dedicação de quem se compromete a passar um tempo ajudando não tem preço. (No final do jantar, o chef Emiliano ganhou um desenho feito por um dos convidados! <3) 

O Refettorio Gastromotiva já é uma iniciativa linda e transformadora, e promete inovar no próximo ano, abrindo seu restaurante ao público na hora do almoço, com o esquema “pague o almoço e doa a janta”, em que cada refeição servida paga o janta que será doada no fim do dia. Abaixo, alguns dos recados que os convidados deixaram nas mesas durante a refeição.

Gostou desta iniciativa e gostaria de se voluntariar? Envie um email para a Gisele: voluntarios@gastromotiva.org

Para conhecer mais sobre o projeto, acesse: www.refettoriogastromotiva.org

 

 

Espetáculo sobre universo feminino encerra temporada em Santa Teresa

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Fotos: Divulgação/Carolina Spork

Uma dica para o fim de semana é um passeio pelo bucólico bairro de Santa Teresa, na região central do Rio. Ladeiras, artesanato, culinária, cinema, bondinho. E casas culturais. Uma delas é o Parque das Ruínas, que fica perto do Largo do Curvelo. A visita vale pela linda vista da cidade e para conhecer as ruínas do palacete onde morou Laurinda Santos Lobo. Ali funcionam duas salas com exposições e uma sala de teatro, onde está em cartaz o espetáculo “Retratos”, em temporada independente. A gente conferiu a peça e adorou!  Leia, abaixo, a resenha. Vamos sortear ingressos em nossas redes sociais! Fiquem ligados!

Mulheres em flashes
Por Aline Miranda

Adentramos na sala de pedra. O ambiente pequeno acolhe e encanta. No centro do palco, imóvel, vemos uma mulher. Em breve, várias personas habitarão esta mulher, por hora ao centro do palco, inerte. Para onde mira seu perdido olhar?

O que se perde e o que se ganha nos papeis sociais os quais nos destinam, a nós mulheres? O que “Retratos” quer nos mostrar através deste solo de interpretações de papeis femininos tão variados?

Carol Cony, atriz e bailarina, nos convida a adentrar o invisível e o real na vida de mulheres que perpassam por seu corpo, em uma construção que se faz presente em cada fio de cabelo, na respiração, no mínimo gesto. E no olhar.

Muitas vozes se agregam. Algumas silenciadas pela figura masculina, que não vemos, mas que se faz presente em gesto e representação. Gravatas que amordaçam e cegam. Por vezes há morte, por vezes há libertação. Resistir segue sendo sempre a opção.

“Bonita? Não. Mulher!”, diz uma das personagens. As falas ditas são poucas. O texto visual é o mais impactante. Criação conjunta de Carol e Cristina Moura, que assina a direção. A trilha composta por Domenico Lancellotti mistura referências de pop, cinema, circo e cotidiano, sendo o fio condutor destes 50 minutos de nuances, sentimentos e sensações múltiplas. A luz, de Tábatta Martins, faz se importante também como diálogo com a atriz e as imagens reproduzidas e experimentadas. Corpo, luz e som são a fala do espetáculo.

Há uma perfeita sincronia entre o estudo de corpo e o movimento facial, principalmente dos olhos. Um ritmo acelerado e constante, de encaixe cênico poético, traz leveza na dança com os tecidos. Roupas que bailam, que poderiam afogar, mas fazem rir e libertam. “Há noites intraduzíveis”, ouvimos. Tardes também.

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Inspirado no empoderamento feminino presente no trabalho da fotógrafa Cindy Sherman, “Retratos” é um espetáculo que toca, plenamente, o feminino. Uma temporada independente. Uma equipe integrada quase totalmente por mulheres. E corajosamente apostando no financiamento coletivo. Esses motivos já se fariam suficientes para você ir assistir. Mas “Retratos” faz mais: te cutuca, te faz rir, te faz pensar, te gruda na cadeira, te faz querer dançar, te veste, te despe, te tira do lugar.

Clique aqui para ver o vídeo da campanha.
Clique aqui para acessar a página da Vakinha.

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“Retratos”
Onde: Parque das Ruínas – Rua Murtinho Nobre, 169, Santa Teresa.
Quando: Sábado (29/10) às 16h.
Quanto: Entrada R$ 30 / R$ 15 (meia).
Classificação: 12 anos.

 

A incrível geração de perdedores… que está ganhando o mundo!

Esqueça tudo o que falaram sobre a gente na escola, nos livros, nos filmes. Geração do futuro? A gente quer ver a mudança agora! Sabe a história da palavra presente se chamar assim por que é uma dadiva? Esse é o nosso lema. O presente é para ser aproveitado, vivido o quanto for possível.

A gente casa por amor, se separa por amor, tem filho por amor, muda de emprego, de cidade, estado, país e, se deixar, até do planeta. Tudo por amor. Amor a si mesmo, ao próximo, aos animais, ao mundo. Somos a era do amor desmedido, do amor vivido.

E a gente vai sem medo. Larga as amarras e se joga no mundo. O que muitos chamariam de loucura, a gente chama de coragem! O engenheiro vira garçom, o administrador dá a volta ao mundo de bicicleta, o advogado vira cervejeiro, o jornalista se torna cozinheiro. Sabe aquela vontade de largar tudo e viver pescando naquela praia paradisíaca? A gente foi lá e fez.

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Chega da falsa ideia de que o melhor da vida é trabalhar 335 dias e folgar 30.
O melhor não está no futuro, está no presente, na nossa frente, estica a mão que já dá pra pegar!

Viramos empreendedores e reaprendemos a viver. Nunca se viu uma geração abrindo tantos negócios. Casa sustentável, carro sustentável, alimentos orgânicos, vida mais saudável… E tudo tão inovador!

Não é só pelos 20 centavos, nunca foi. Estamos cansados das velhas oligarquias políticas, buscamos as mudanças prometidas há décadas. E a gente vai pra rua, como nossos pais… Mas também faz barulho também na internet, vomitaço, panelaço, twittaço… Estamos expondo nossas ideias, independente da posição política, a gente grita para ser ouvido. E estamos conseguindo!

Ressignificamos a palavra luxo. Para vocês é muito dinheiro no bolso, para a gente é ter história para contar. Não queremos pregar nenhuma política ou modo de vida que vocês tentarem criar: comunismo, hippie, burguesia, neoliberalismo? Descobrimos que o melhor hotel do mundo tem mil estrelas. E está sob nossas cabeças. Mas só vemos quando trocamos o escritório pela vida. E a gente quer é viver!

Texto: Bárbara Secco
Foto: Wallpaper Up

Porque ainda precisamos falar sobre o feminicídio

Sei que muitas pessoas, só de ler este título, ensaiaram um bocejo e pensaram “aii, lá vem textão mulher mimimi violência mimimi machismo”. Pois, sim. Mais um texto disso. Já se passaram mais de dois mil anos que Jesus esteve por aqui, mais tantos mil anos antes dele e ainda temos que falar sobre a morte de mulheres por elas serem… mulheres.

O México. Segundo país mais populoso e segundo maior PIB da América Latina. Uma das maiores economias do mundo e uma potência regional (palavras do wikipedia, veja aqui). Dentro do México há Ciudad Juárez, com 2,6 milhões de habitantes. Fronteira com Texas e conhecida por ser a “Faixa de Gaza mexicana”. Lá também é um polo de indústrias de tecnologia. Por lá, um computador é feito a cada cinco segundos. Um celular criado a cada dois segundos. E uma mulher morta a cada três horas.

Pode-se dizer, então, que Ciudad Juárez é um polo de indústrias de tecnologia e de feminicídio. Em Ciudad Juárez ser mulher é sentença de morte. O papa Francisco passou por lá este ano e falou sobre o número alarmante de mulheres mortas, violentadas, abusadas e agredidas por lá. (Mais sobre Ciudad Juárez aqui e aqui)

O Brasil. O país mais populoso e com maior PIB da América Latina. Uma das maiores economias do mundo e uma potência regional. Dentro do Brasil há a Ilha de Marajó, Lá, meninas de até sete anos são estupradas diariamente. A situação é tão comum que já há nome para isso: meninas balseiras (leia matéria aqui). No Brasil, uma mulher é morta a cada cinco horas.

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Cena do espetáculo “Bonecas Quebradas”, sobre o feminicídio no México

Feminicídio é algo que vai além da misoginia, criando um clima de terror que gera a perseguição e morte da mulher a partir de agressões físicas e psicológicas dos mais variados tipos, como abuso físico e verbal, estupro, tortura, escravidão sexual, espancamentos, assédio sexual, mutilação genital e cirurgias ginecológicas desnecessárias, proibição do aborto e da contracepção, cirurgias cosméticas, negação da alimentação, maternidade e esterilização forçadas.

México. Brasil. Países com realidades distintas, mas destinos iguais. Mulheres de lá e mulheres daqui convivendo com o terror da violência, do medo, da falta de perspectiva de um futuro melhor. Mas as mulheres de lá e as daqui não se calam. Se unem, gritam mais alto e mostram ao mundo essa realidade tão terrível.

Aqui no Rio está em cartaz a peça “Bonecas Quebradas”, que trata sobre os casos de Ciudad Juárez. Sobre os casos do Brasil. Sobre todas nós. Depois de assistir ao espetáculo, tive vontade que todos os homens assistissem também. Meu pai, meus professores, meus ex namorados, amigos, colegas de trabalho. Porque sinto que algumas coisas só são sentidas quando vistas de outras perspectivas. E um palco faz isso, nos dá outras visões, outras interpretações.

Todos e todas convidados. Porque estamos em 2016 e ainda precisamos falar sobre feminicídio.

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Bonecas Quebradas
Onde: Espaço Cultural Sérgio Porto – Rua Humaitá, 163.
Quando: até 22/8, quinta a segunda-feira (quinta a sab às 2h, domingo e segunda às 20h. Dia 20/8 tem sessão extra às 16h30)
Quanto: R$20 inteira / R$10 meia e lista amiga (bonecasquebradasteatro@gmail.com)

 

#Rio2016 6 mulheres que já venceram nesta Olimpíada (sem precisar ganhar medalha!)

Muito além das medalhas, o que mais inspira numa grande competição, como as Olimpíadas, são as histórias de força e superação de atletas. Nesta edição no Rio não seria diferente. Conheça a história inspiradora de seis mulheres que, independente dos resultados, já podem ser consideradas vencedoras!

1 – Oksana Chusovitina, 41 anos e ginasta

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Desafiando preconceitos e o próprio corpo, luz na passarela que lá vem Oksana, do Uzbequistão, para arrasar na ginástica e lacrar sua sétima Olimpíada!

 2 e 3- Lia e Simone, primeira dupla de nadadoras negras dos EUA

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Jovens fazendo história! Lia Neal, 21 anos, e Simone Manuel, 19, serão as primeiras nadadoras negras na história  a representar a equipe olímpica dos Estados Unidos. Vão competir na prova de revezamento 4×100, nado livre.

4 – Jo Pavey, a mais experiente da história do atletismo

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A britânica de, pasmem, 42 anos (botando duas gerações de jovens no chinelo) vem ao Rio para se tornar a representante mais velha na história do atletismo nas Olimpíadas.

5- Majlinda Kelmendi – vim, vi, venci

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Majlinda, 25 anos, já fez história ao fazer parte da primeira delegação do Kosovo na história dos Jogos (o país teve origem após se separar da Sérvia e até hoje luta por reconhecimento internacional, não tem instabilidade política e vive constantemente sob ameaça de guerra com seus vizinhos). Mas ela foi além. Veio, viu e venceu, levando para casa o ouro no Judô até 57kg!

6 – Yusra Mardini, nadar para viver, viver para nadar

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Dona de uma das histórias mais emocionante desta edição dos Jogos, Yusra Mardini é síria e nadar, literalmente, salvou sua vida (e a de dezenas de pessoas que estavam no barco em que ela e a irmã ajudaram a chegar em terra). Vem ao Rio como parte do Time Olímpico de Refugiados, a “nação” mais emblemática das Olimpíadas do Rio.

 

Com informações do Brasil Post.

12 expressões que só carioca entende

Admita, ser carioca é mais que nascer na cidade do Rio, é um estado de espírito, um modo de levar a vida!

A cidade tem muitos problemas, mas só a gente pode falar mal! Mas ainda dá um orgulho danado quando perguntam de onde somos, e a gente responde com um sorriso no rosto: sou carioca!

Para saber se você está nesta turma de privilegiados por um pôr-do-sol no Arpoador, confira a lista e veja se entende mesmo o carioquês:

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Bondinho do Pão-de-Açúcar

1. Caô: Grande mentira ou fato inacreditável.

2. Coé: Um “qual é” cheio de marra.

3. Mermão: O jeitinho carioca para “amigo”, “colega” ou “brother”.

4. Perdeu: Amplamente usado pelos bandidos da cidade, mas serve para qualquer situação em que alguém perca alguma coisa: a hora, o ônibus, os pertences, a festa irada da noite passada, a praia de sábado…

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Centro do Rio

5. Já é: Interjeição para qualquer final de frase

6. Sapucaí: Não basta ter um local destinado para desfile de escola dsamba, nossa avenida tem nome próprio!

7. Posto 9: Não é um encontro de nove postos de gasolina, e sim o local mais maneiro para e pegar uma praia.

8. Maneiro: Não é legal, não é super bacana, se está no Rio é maneeeeiro (com esse “e” esticadinho mesmo!).

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Uma cidade realmente maravilhosa!

9. Irado: Algo muito maneiro.

10. Sinixxxxtro: algo muito irado.

11. Piriguete: Esqueça a definição pejorativa do termo, aqui é um modo de se vestir sem sentir frio, mesmo no inverno.

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E essa vista da Lagoa? ❤

12. Carioca: Essa é a mais difícil de explicar. Para um amigo mineiro é um tipo de doença bucal (nossa, minha carioca está doendo hoje!), mas só a gente sabe que ser carioca é trabalhar o dia inteiro, mas conseguir dar um pulo na praia no horário de verão, ficar sem grana mas fazer happy hour com vista pro mar, viver na beleza e no caos!

Mais sugestões? Conta para a gente: riodigratis@gmail.com

Estamos de cara nova!

Depois de dois anos de blog, resolvemos mudar de visual!

Agora os posts ficam mais visíveis, assim dá para todo mundo acompanhar tudo que gratuito e barato que está rolando pela cidade!

Redefinimos as categorias dos posts, para facilitar a navegação nos temas. Ficou assim:

Sempre no Rio – aqui você encontra a programação fixa da cidade, pontos turísticos, museus, com dicas preciosas para descontos, gratuidades e, ainda curiosidades e um pouco da história de cada local.

Cultura – tudo que é arte: teatro, cinema, artes plásticas, música, festivais, shows, dança…

Educação – divulgação de cursos, oficinas, palestras, bolsas de estudo e temas afins.

Feiras – a nova febre da cidade! Encontros de moda, novas marcas, food trucks, cervejas artesanais, livros e o que a imaginação carioca permitir.

Na rua – eventos gratuitos e abertos para a população. A gente adora essa programação sem muros pela cidade!

Além Rio – o que está rolando de legal, gratuito e barato por aí. Dicas para aproveitar outras cidades sem doer o bolso. Dá para ser feliz sem gastar muito!

Crônicas cariocas – espaço para quem quiser falar sobre as dores e as alegrias de se viver na Cidade Maravilhosa. Um lugar legal que conheceu, uma figura pitoresca da cidade, uma história divertida… compartilhe!

Fale com a gente – Gostou do blog, quer fazer uma parceria, sugestão de evento, enviar uma crônica? Escreva para nós: riodigratis@gmail.com

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Por um Rio gratuito, democrático, cultural e plural!

Seguimos,
Babi.
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O Rio que não tem preço

Vento&Cor

Quem anda pelo Centro já deve ter encontrado com o moço dos cataventos. 😊

Sempre que o vejo, sinto o dia mais colorido. Experimente enfeitar um vasinho de flor com o trabalho dele, é alegria para sua casa.

Ele também trabalha com encomenda e entrega em casa! 😄

Contato: 21 2504-2349 (e tem mais telefones no cartaz na imagem). Viva o Rio e quem faz da cidade um lugar melhor para viver!

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Ensinamentos para dias de chuva (e de sol)

Antes que os cariocas desanimem com essa chuva que não para, que tal a gente lembrar de agradecer, todos os dias, faça chuva ou faça sol, pelas coisas boas que acontecem em nossas vidas?

Não vamos deixar o caos da cidade tirar nosso sorriso e nossa felicidade!

Aqui vão 18 hábitos positivos que podem mudar a sua vida! 😉

1. Todas as manhãs, antes de sair da cama, e à noite, antes de ir para a cama, agradeça por pelo menos três coisas que você tem ou você conheceu, seja no contexto do trabalho, família, momento engraçado na rua, etc.

2. Todas as noites, pergunte-se três coisas que você aprendeu durante o dia.

3. Todas as noites, pergunte-se três coisas que você pode fazer melhor da próxima vez.

4. Quando você cometer um erro, imediatamente, se possível, tente fazer a mesma coisa de uma maneira melhor, a versão mais correta. Se você não pode corrigi-la fisicamente, então imagine fazendo isso. O objetivo é memorizar a versão melhorada como final.

5. À noite, antes de ir para a cama, ou na manhã antes de iniciar o trabalho, prepare uma lista de tarefas para o dia.

6. Diga a seus entes queridos que são especiais, que você os ama e que são importantes para você.

7. Olhe no espelho e sorria para a sua imagem refletida (mesmo que isso seja forçado).

8. Pelo menos uma vez por ano, saia e conheça um novo lugar.

9. Pare de passar tempo com pessoas tóxicas.

10. Quando você fizer algo, pergunte a si mesmo como isso está mudando o mundo e ajudando as outras pessoas.

11. Tenha um sonho e todos os dias, por alguns minutos, visualize-os como se você já tivesse chegado até ele.

12. Escolha um contexto de vida em que você deseja alcançar vitória e pratique.

13. Pelo menos uma vez por dia passe alguns minutos sozinho.

14. Quando você falar com alguém, pergunte-se como você pode ajudar a pessoa a resolver seu problema.

15. Durante o dia, pelo menos uma vez, pergunte-se: “Eu sou feliz?”. Se a resposta for negativa, mude alguma coisa.

16. Quando você se sentar para trabalhar, trabalhe dentro das capacidades de um mínimo de uma hora sem uma pausa.

17. Encontre algo maior do que você – Deus, o Todo, a Plenitude, Inteligência Infinita (o nome não importa, assim como a religião também não) e peça apoio e orientação.

18. Se você cometeu um erro, que teve consequências negativas para outros, peça desculpas a essa pessoa e siga em frente livre.

Seja feliz! ❤

Fonte: Brasil Post

O Rio é de quem, coxinhas ou petralhas?

Vocês estão sentindo o clima estranho que está pairando pela nossa cidade? Golpe, panelaço, impeachment… não importa o nome que se dê, vamos combinar que é muito chato viver assim!

Sim, você pode ser contra o governo. Sim também, você pode ser a favor do governo. O que não podemos é ficar uns contra os outros, transformar nossos dias em pequenas guerras, discussões inúteis e aborrecimentos.

Todos nós temos o direito de escolher o que achamos certo e errado, vivemos (ainda bem!) em um país, um estado e uma cidade democráticos, em que o livre arbítrio existe e ninguém pode (ou não poderia, ao menos) ser punido pelas suas opiniões, sejam elas políticas, religiosas, culturais, etc.

Mas daí a achar que a sua opinião deve prevalecer perante a dos outros, são outros quinhentos. Por que nossa opinião é a certa e o que nosso vizinho acha não? Ou por que nos achamos melhores que os outros?

Não vamos nos deixar cair nos rótulos que a mídia – a favor ou contra o governo – que nos colocar. Não vamos deixar que nos julguem como “coxinhas x petralhas”, ou “burguesia x povão”…

Nós somos muito maiores que isso! Repetir o discurso que nos é imposto – a favor ou contra o governo – é deixar com que a mídia decida sobre nossas vidas.

Brigas pelo Facebook, brigas reais, brigas em famílias, amizades perdidas. Precisamos realmente passar por isso?

Todos nós cariocas – a favor ou contra o governo – desejamos viver um lugar melhor, com mais oportunidade e menos corrupção. Desejamos que o Rio seja uma cidade mais segura, mais limpa e mais barata para se viver. E, acima de tudo, uma cidade que viva em paz.

As preferências políticas e partidárias nunca devem estar acima do respeito e da educação que devemos ter com as outras pessoas, principalmente quando elas pensam diferente de nós.

Afinal, não é a diversidade que faz o Rio ter graça? 😉

Texto: Bárbara Secco

Foto: Charge sobre a Revolta da Vacina, ocorrida no Rio, em 1904. – miramachina.com

Rio 450 anos: uma vida de contradições

Olha, vou te dizer a verdade sobre morar aqui: é quente, tá caro, é perigoso, tem trânsito e os motoristas do 410 são lunáticos!
Sem contar o lixo espalhado nas ruas, o cheiro de xixi pelas esquinas, o tanto de pessoas que vivem nas calçadas e a sensação de que vamos ser assaltados a qualquer momento. Então por que a gente ainda continua aqui?

Quando estou fora daqui, todos me dizem “uau, você mora no paraíso!” E, sim, tenho que concordar.
Mas morar aqui é como o depois de realizar um sonho. Sabe quando você quer muito realizar algo e um dia consegue? Como vive o dia seguinte? O que faz a sua vida ter sentido de novo?
Aqui é assim, o dia seguinte ao paraíso. Você ama, você realiza, você vive. Mas a realidade é implacável e te mostra que a vida é dura a cada esquina com um pivete cheirando cola e te encarando.

Mas… e o mar? E o céu? E essa floresta linda? E o Parque Lage nos dando um sopro de ar verde em meio ao trânsito da Jardim Botânico? E a Lapa salvando dias monótonos? E o samba nos dando sentido pra viver de outubro à fevereiro?
E a sensação de estufar o peito e dizer com brilho nos olhos: “sim, sou carioca!”?

Parabéns, Rio de Janeiro. 450 anos de contradições. Mas a gente ainda te ama!

Texto: Bárbara Secco

Foto: Raphael Fernandes