Atrizes em cena inovam texto consagrado de Plínio Marcos em Ipanema

Duas perdidas se encontram em corpo e palavra no Laura Alvim

Por Aline Miranda

Fomos conferir a estreia da peça “Dois perdidos numa noite suja”, realização da Cia Plúmbea, no Espaço Rogério Cardoso, na Casa de Cultura Laura Alvim, em Ipanema. O texto é conhecido por parte do público pela versão cinematográfica premiada de José Joffily, com Débora Falabella e Roberto Bomtempo como protagonistas. No filme, o personagem Paco é uma mulher, mas no texto original a dupla é de homens e, nesse espetáculo, interpretada por duas atrizes. E, mais que isso, elas se revezam nos papéis!

De maneira criativa e afinadíssimas para uma estreia, Ana Cecilia Reis e Caju Bezerra trocam de personagens como quem troca de sapatos. Esse objeto de cena é o mote da relação entre Tonho e Paco, e também da relação entre as atrizes. Como elas se revezam tão fluidamente nos papéis, não se pode associar a nenhuma delas uma interpretação maior de algum dos personagens. Esse é o ponto alto do espetáculo e merece boa plateia por isso. Como elas realizam tal feito? A melhor forma é comprovar assistindo 😉

1. Dois Perdidos Numa Noite Suja - Cia Plúmbea - crédito_Rodrigo Menezes (a)
Foto: Divulgação

A linguagem corporal é outra característica marcante na montagem desse grupo de alunas da Unirio. O gestual é presente a todo momento e compõe instantes interessantes entre os personagens depois que nos habituamos a essa linguagem. Possivelmente, o movimento físico é o que leva um pouco de suavidade a esse texto tão denso. As músicas que tocam no radinho do quarto escuro e úmido da dupla também provocam momentos de suspensão do duro cotidiano dos personagens.

O espaço é ambientado de maneira com que entremos neste universo onde dormem os personagens, como expectadorxs presentes, incomodados com o barulho, as brigas, a fumaça. É difícil rir das brincadeiras e provocações muitas vezes humilhantes entre a dupla criada por Plínio Marcos. Mas houve quem, no público, desse risada. A vida “real” é dura e, por isso, ver em cena situações de sarcasmo, deboche e violência pode ser duro. Mas as estratégias de atuação são inteligentes e sutis. Não há nada explícito como se vê em telejornais, filmes e até (muitas) séries e novelas. Há violência cotidiana, sim. Mas não é preciso ter arma e agressões físicas em cena para mostrar isso. Para tal, artifícios cênicos.

O programa do espetáculo é também inovador, apresentado criativamente como parte do jornal impresso “A Noite”, datando 25 de março de 1972. O texto – que também já foi ao cinema interpretado por Emiliano Queiroz e Nelson Xavier – está em cartaz na aconchegante e inspiradora Casa de Cultura Laura Alvim, que por si só já valeria a visita.

Pestigie a cultura carioca e aproveite a brisa beira-mar após o espetáculo. É preciso ventilar as ideias e suspirar com arte em tempos sombrios.

 

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Teatro – Dois Perdidos Numa Noite Suja
Onde: Casa de Cultural Laura Alvim – Avenida Vieira Souto, 176, Ipanema (próximo à estação General Osório do metrô)
Quando: Terças e Quartas (até 20/12), às 20h
Quanto: R$30 inteira / R$15 meia

 

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Noite Tropical lacradora no Circo Voador neste sábado!

 

O Circo Voador antecipa o clima de verão com uma noite que promete ferver o bairro mais boêmio da cidade. Sábado, 14, a banda As Bahias e a Cozinha Mineira lança seu segundo disco, BIXA, após o feliz e elogiado “Mulher”. Os títulos dos discos não são à toa. As Bahias – Assucena Assucena, Raquel Virgínia – e Rafael Acerbi, no núcleo principal, vieram mesmo para contestar a música e a sociedade brasileira. São divas, deusas urbanas, damas da night – como diz a letra de uma das músicas – cheias de melodias fortes, poéticas e dançantes.

A noite do projeto Tropical Sound System Vol. 2 terá duas bandas, cada uma com uma participação. As Bahias convidam Rico Dalasam, e a banda Não Recomendados traz participação de Zélia Duncan. Além de tudo isso, tem a pista que é sempre uma delícia para os corpos deleitarem-se naquele clima de quem não quer que a noite acabe.

Uma noite imperdível para dançar, cantar alto, junto, se jogar e brilhar!
Diversidade e liberdade para a cultura. A arte é livre! Nos vemos lá!

As Bahias e a Cozinha Mineira convidam Rico Dalasam / Não Recomendados convidam Zélia Duncan
Pista: Nicole Nandes
Quando: 14/10 (sábado)
Onde: Circo Voador – Rua dos Arcos s/nº – Lapa, Rio de Janeiro
Abertura dos Portões:
22h
Classificação: 18 anos
Ingressos: 40 (meia ou solidário) / 80 (inteira)

Meia-entrada: estudantes, menores de 21 anos, maiores de 60 anos, pessoas com deficiência e um acompanhante, jovens pertencentes a famílias de baixa renda, com idades de 15 a 29 anos, diretores, coordenadores pedagógicos, supervisores e titulares de cargos do quadro de apoio das escolas das redes estadual e municipais do RJ, professores da rede pública estadual e municipal do RJ.

Cliente Odeon e Clube Sou + Rio: válido para clientes que apresentarem ingresso Odeon ou carteirinha de associado do Clube Sou + Rio. Desconto válido para ingressos comprados na Bilheteria do Circo. É necessário apresentar o ingresso Odeon/Voucher Sou + Rio no ato da compra.
Ingresso Solidário: desconto de 50% para quem trouxer 1kg de alimento não-perecível para doação. Na compra do ingresso solidário, a doação deve ser entregue no dia do show.
Os ingressos podem ser comprados:
– Site da Ingresso Rápido 
– Aplicativo da Ingresso Rápido
– Bilheteria do Circo (apenas dinheiro), aos sábados a partir das 14h.

Últimos dias para conferir as acrobacias do Nopok na Tijuca

Colocar uma bicicleta no palco do teatro? Subir nela e pedalar rodopiando? E levar seu amigo consigo, ora nos ombros, ora pedalando junto, ora em pé, tudo na mesma bicicleta, rodopiando pelo palco do teatro? Sim, com o Coletivo Nopok nada é impossível.

No espetáculo Deslizes, em cartaz no Teatro Ziembinski até 17 de fevereiro, a improvisação ensaiada, a liberdade e fantasia das brincadeiras infantis, os malabares, e a experiência com as apresentações de rua são ingredientes de uma mistura cheia de energia e força lúdica que saltam aos olhos do público encantado.

Silêncio, som, luz, escuridão e movimento provocam e estimulam.

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Fotos: Divulgação / Carolina Spork

Completando dez anos, o Coletivo sobe aos palcos em temporada independente, após circular pelas praças de cidades das regiões serrana e dos lagos durante este verão. Com ou sem fomento, as apresentações acontecem constantemente nas ruas. Circular por diversos lugares é uma das características do grupo.

O teatro físico-circo de Deslizes é repleto de muita ação e pouca fala.  Mas há jogo com as palavras, escrita, recortada, desmontada, resignificada. Escalar, equilibrar, saltar, pedalar, soprar, escrever, brincar. Um espetáculo onde tudo desliza. A classificação é livre e há sempre crianças na plateia. E elas adoram. Em uma das apresentações uma voz infantil soltou um “Você quer ajuda?”, para o personagem que se encontrava em apuros.

As desenvolturas de Daniel Poittevin e Fernando Nicolini na mesa deslizante e na bicicleta acrobática fazem parecer fácil o que requer força, técnica, treino e concentração. Cabe a nós prestigiar, rir, se impressionar e aplaudir. Vá com crianças, amigxs, sozinhx. E quem disser na bilheteria que leu sobre o espetáculo aqui no Rio de Graça, paga meia entrada!

 

Aline Miranda
fb.com/alinemirandapoeta
com colaboração de Ana Righi e Carolina Spork

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Deslizes
Onde:
Teatro Municipal Ziembinski
Rua Heitor Brandão, s/n, Tijuca. Em frente ao Metrô São Francisco Xavier.
Quando: Até 17/2, quarta a sexta às 20h.
Quanto: R$ 30 (inteira) / R$15 (meia) para amigos do Rio de Graça também!
Duração: 60 minutos.
Telefone: 2254-5399
Classificação etária: Livre!
Venda de ingressos também pelo site: ingressos
Para saber mais: site oficial do coletivo

Greve de 1979 é tema de peça que vem lotando sala de teatro do CCBB

Passado Presente

Prepare-se para três horas de mergulho dentro da greve dos metalúrgicos do ABC paulista de 1979. Conheça as reivindicações, assembleias e atos por quem os fez. A História costuma contar os fatos a partir de um ponto de vista distante do ocorrido, através do olhar externo, observador.

A aclamada Companhia do Latão – cuja uma de suas bases é dar luz aos problemas sociais do Brasil – nos dá a oportunidade de aprender a história brasileira pela voz de quem a construiu. Após temporada em São Paulo e apresentações em Salvador, Natal, Recife e Belo Horizonte, o espetáculo “O Pão e a Pedra” segue em temporada até 13/2 no CCBB do Rio de Janeiro.

O cotidiano de operárias e operários em cena. Suas vidas, expectativas e desejos. Os diferentes pontos de vista dentro do movimento. As articulações, debates, o apoio dos estudantes, de parte da Igreja Católica e da sociedade. Com uma profunda pesquisa em livros, artigos, filmes, documentos e entrevistas, a Companhia apresenta este mundo do trabalho nas fábricas, revisitando este momento da greve histórica. A obra é, portanto, fundamental para entendermos o período político sombrio e efervescente que estamos vivendo.

Através de elementos realistas, vemos a construção das cenas, tanto na cenografia quanto na dramaturgia. Há música ao vivo, elemento importantíssimo. Há troca de personagens. Canto, riso, choro. Entre drama e comédia, as soluções cênicas são várias e criativas ao se tratar de um assunto tão denso. A plateia ri das cenas mais descontraídas e torce pelos personagens.

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Versos de Vinícius de Moraes são entoados: “O que via o operário/O patrão nunca veria./(…)E em cada coisa que via/Misteriosamente havia/A marca de sua mão/E o operário disse: Não!”. Em dado momento, em cena que operárias escutam uma importante assembleia pelo radinho, ouve-se parte do discurso original daquele que foi a grande liderança sindical e que, anos mais tarde, viria a tornar-se presidente do Brasil. É emocionante.

Passamos tantas horas naquele teatro, que nos sentimos parte do movimento, queremos votar as questões, aplaudir os discursos. No dia do falecimento de Marisa Letícia Lula da Silva a sessão foi dedicada à memória dela, sua vida e luta.

A condição de vida e trabalho das mulheres também é posta em debate. Uma das personagens disfarça-se de homem para conseguir melhor salário e sustentar a si e a seu filho, sozinha. Outra, militante, emprega-se na fábrica para participar de perto da luta. E há a que esconde a gravidez para que não a demitam. Greve, desigualdade social/econômica/de gênero, violência policial e militar, Fiesp, ditadura, grande mídia, a força da união, mobilização, perseguições, as lutas específicas como a luta de todo o povo brasileiro, “a miséria do capital”. O que, desde então, mudou?

A Companhia do Latão completa 20 anos de existência neste ano de 2017. O espetáculo foi criado nos primeiros meses de 2016 – eles avisam logo de início. As sessões seguem lotando. E nós, saímos do teatro com – mais que uma sensação – a certeza de que a luta é necessária e continua. E que é preciso não esquecer o passado para não sucumbirmos no tempo presente.

Aline Miranda
página oficial

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O Pão e a Pedra
Onde: 
Centro Cultural Banco do Brasil, teatro III: Av. Primeiro de Março, 66, Centro.
Quando: Até 13/2, quarta a domingo às 19h30.
*Duração: Dois atos totalizando 170 minutos (ato I: 1h35 / intervalo: 15 min /ato II: 1h).
Quanto: R$ 20 (inteira) / R$10 (meia) * Estudantes, idosos e clientes Banco do Brasil pagam meia!
Telefone: 3808-2020
Classificação etária: 16 anos

Sensibilidade em cena no Teatro Carlos Gomes até domingo

Em cartaz no Teatro Carlos Gomes até 29 de janeiro, o espetáculo Bianco su Bianco, da companhia suíça Finzi Pasca, é um convite ao subjetivo.

Luzes no vazio

Adentramos a sala escura. Feito cinema. Luzes. Não faça barulho. É uma peça de teatro, é um circo itinerante ali ao palco. Por favor, seja em silêncio. Prepare-se para um grande mergulho interior.

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Fotos: facebook.com/fotografiafeminista

O palco é magia, beleza para os olhos. Sentidos atentos. Flor da pele. Apreciação e preenchimento de vazios. “O vazio de fora é diferente do vazio de dentro”. O espetáculo nos leva a observar as emoções. Emoções dxs personagens – que se apresentam alternadamente entre a atriz Helena Bittencourt e o ator Goos Meeuwsen, entre primeira e terceira pessoa em suas vozes. Emoções de nós mesmos/as.teatro-bianco-sur-bianco_03

Pequenas múltiplas luzes dispostas em lâmpadas por todo o palco – de cima para baixo e de baixo para cima – iluminam, apagam, destacam e dão o tom conduzindo as emoções em cena. São 360 lâmpadas! Há diversos momentos de interações com as lâmpadas, sincronizados de tal forma que é difícil entender a mecânica e o melhor é relaxar feito criança e acreditar no que os olhos vêem. O ilusionismo pode nos levar a indagar: Será que estamos sonhando?

Os adultos, como as crianças, precisam do lúdico. Eis uma excelente oportunidade. A plateia recebe crianças e adultos. Há risos de todas as idades. Apesar da escuridão é possível ouvir e imaginar o sorriso e os olhos ampliados de cada um/a ali presente.

Ainda que o texto – relato e memória – trate de temas densos como a justiça (se ela houvesse), a fragilidade e a dureza possíveis no humano, o espetáculo é leve porque delicado. O mundo cabe num bairro. A vida cabe num palco. “Bianco su Bianco” nos lembra que para o amor é preciso coragem. Pelo menos de uma das partes, para que uma história se inicie. Nos alerta também que “as pessoas têm mania de achar que quando tem doçura e gentileza tem alguma outra coisa (ruim) vindo”. Não. A vida pode ser bonita. A sensibilidade é também força.

Neste onírico espetáculo, por vezes nos perdemos entre o texto dela e o gesto dele, entre o “como será que estão fazendo isso” e o deixar-se levar pela história. O que observar? Ao que prestar atenção? Não nos prestemos a nada. Deixemo-nos fluir, como num sonho, perdidos e levados como folhas de papel, como pétalas, como luzes de vaga-lumes na escuridão, acedendo ora ali, ora acolá. Cá.

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Delicadeza. Estímulo à sensibilidade. Houve quem disse que, ao final, dá vontade de sentar ali a olhar palco e cenário e “chorar a peça”. De emoção. Recomendo voltar.

por Aline Miranda
fb.com/alinemirandapoeta

Para saber mais:

Além dos espetáculos da Companhia em turnê por todo mundo, o diretor Daniele Finzi Pasca escreveu e dirigiu diversas óperas e espetáculos teatrais, além de dois espetáculos do Cirque du Soleil e três cerimônias olímpicas! Até agora, “Bianco Su Bianco” realizou 90 apresentações para 25 mil pessoas em 10 países e 31 cidades.
Dica: Você pode pagar meia entrada colocando seu nome no evento do Facebook.

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Bianco Su Bianco
Onde:
Teatro Municipal Carlos Gomes: Praça Tiradentes, Centro.
Quando: Até 29/1, quinta e sexta às 20h, sábado e domingo às 19h
Quanto: R$ 40 (inteira) / R$20 (meia) – lista amiga aqui
Telefone: 2224-3602

Diários em cinema e cena na Caixa Cultural

Você já teve um diário? Já escreveu em agendas, cadernos de memórias, blogs na internet? E nas redes sociais, você fala de si?

Buscando trazer luz aos temas da “exposição pública do íntimo” e da “tensão entre a vida pública e a privada”, a mostra Diários: do segredo á revelação traz para o público filmes e atividades relacionadas às narrativas pessoais. Além da discussão e reflexão desses temas, temos a oportunidade de olharmos a história do mundo e as emoções humanas através da pluralidade de olhares pessoais. Particularmente, já que estamos falando de diários, assisti a um filme, uma leitura dramatizada e uma aula da oficina de escrita. O público em média nas três atividades foi de 25 pessoas atentas e participativas.

Assisti ao filme “Memórias do Cárcere” (1984), de Nelson Pereira dos Santos, cuja história é baseada na obra de mesmo nome de Graciliano Ramos. O escritor e então político de Alagoas foi preso pela Ditadura de Getúlio Vargas por ir contra as imposições do governo. No cárcere (incluindo a desumana Colônia Penal de Ilha Grande), Graciliano escreveu seu romance sobre tudo que viveu e viu nesse período. As três horas de filme (raridade nos tempos fast que vivemos) são uma oportunidade de olharmos para questões passadas e atuais de nosso país. O que ficou? O que mudou? Neste domingo, às 14h, haverá exibição novamente do filme.

Aproveite o final de semana para esta imersão íntima! Além da mostra “Diários”, há uma exposição de lindos e criativos brinquedos feitos a mão, exposição fotográfica de Alair Gomes e outra mostra de cinema. No dia 18/01 haverá a Sessão Resistências, às 16h30, dentro da mostra “alô alô mundo!”.

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A Caixa Cultural conta com wi-fi, guarda-volumes, piano disponível ao público e um Café com guloseimas, delícias e a gentileza de Carla, que recebe a todxs muito simpaticamente (raridade também no atendimento carioca). Há clientes que a esperam chegar para saborear o café (R$5) com uma boa conversa. Experimente o chocolate quente (R$6) e o croissant quentinho (R$5). Ah, e não esqueça de levar agasalho! Nas salas de cinema faz frio.

ps: O que você anda pensando sobre si? Sobre o mundo? Experimente escrever! Como a curadora Betch Cleinman relembra no catálogo da mostra, já dizia a canção: “Existirmos: a que será que se destina?“.

 

Dia 14 Sábado
11h – Oficina de Narrativas Pessoais
14h – Caro Diário (filme)
16h – A Inglesa e o Duque (filme)
18h30 – Cinzas / O Filmador (filmes)

Dia 15 Domingo
14h – Memórias do Cárcere (filme)
17h30 – Walden: diários, notas, esboços (filme)

Serviço
Mostra “Diários: do segredo à revelação”
Até 15 de janeiro de 2017
Caixa Cultural: Almirante Barroso, 25, Centro.
Horário: terça a domingo, das 10h às 21h.
Entrada, filmes e palestras dessa mostra: Gratuita !
Mais informações: www.solardasmetamorfoses.com.br/diarios
www.facebook.com/CaixaCulturalRiodeJaneiro

Aline Miranda
fb/alinemirandapoeta
poeta, escritora, oficineira
e mestre em Literatura, Cultura e Contemporaneidade
p
ela PUC-Rio com estudo em escrita de si na internet.

 

Exposição Fotográfica no Leblon

A artista visual Carolina Amorim tem um trabalho belo, delicado e forte de intervenções manuais em imagens em preto e branco. Em suas fotografias, linhas, cores e flores secas trazem sinestesia aos nossos olhos.

Pretérito Presente é a exposição individual de estreia de Carolina, e conta com três ensaios que tem em comum o corpo como abrigo de tempos. A curadoria é de Pedro Vasconcellos.

A abertura é hoje, às 19h, no Z.Bra Hostel, no Leblon.  Às 21h ocorre uma performance com Berenice Xavier e Mariana Quintão em texto de Mariana Moraes.

Permita-se aproximar do universo visual poético de Carolina e seus atravessamentos, em fotos, corpos, tempo.

 

Pretérito Presente

Até 17 de dezembro

Horário: 10h às 0h

Z.Bra Hostel: Rua General San Martin 1212, Leblon

Gratuito! ❤

A intimidade do banho em exposição no CCJF

A fotógrafa e atriz Anna Clara Carvalho decidiu clicar dez pessoas no chuveiro após observar, em um banheiro de hotel, seu próprio banho no espelho.

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Box fica em exposição no CCJF até 8 de junho

Despidas de roupas e pré-conceitos, homens e mulheres entram no box e revelam sua intimidade para as lentes de Anna Clara, e para nossos olhos. As fotografias sugerem espontaneidade e movimento. Posam com naturalidade? Evitam uma naturalidade forçada? Não sabemos, e talvez nem seja preciso.

Discutindo a margem cada vez mais porosa entre público e privado, o resultado são fotos lindíssimas, em preto e branco, que comportam uma sala do CCJF. Para cada banho, uma grande foto e outras menores. Ao fundo, o som da água corrente complementa a ambientalização.

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Anna Clara fotografou 10 pessoas tomando banho para realizar a exposição BOX

Entrada Gratuita! \o/

Amanhã, 28/05, tem visita guiada com a fotógrafa às 18h.
Saiba mais sobre os trabalhos da artista em seu site www.annaclaracarvalho.com

BOX fica exposta até 8/6, no CCJF – Av. Rio Branco, 241, Cinelândia.
Aberto de terça a domingo, das 12h às 19h.

Gonçalo M. Tavares na UNIRIO

Hoje, sexta-feira, acontece na UNIRIO a conferência “Imaginação Crítica” com o escritor português Gonçalo M. Tavares e mediação da poeta e professora Julia Studart. O evento é organizado pela Escola de Letras da Universidade.

Gonçalo nasceu em 1970, publicou diversos livros e recebeu prêmios importantes como o “José Saramago” e o “Portugal Telecom”. Ainda assim, podemos indicar Gonçalo somente pelo livro que tivemos o prazer de conhecer: “O homem ou é tonto ou é mulher”. Irônico, amoroso, doce e cruel. Versos para serem lidos, relidos, memorizados, fotografados, lidos para dentro (ele ensina), em voz alta, para outros.

Um dos poemas presentes no livro "O homem ou é tonto ou é mulher"
Um dos poemas presentes no livro “O homem ou é tonto ou é mulher”

 

Entre um de seus mais bonitos poemas, o de número 09.
Eis um trecho:

“Quando ela dorme parece que todo o quarto dorme.
É como se a própria cama dormisse.
É como se os móveis e os lençóis dormissem.
As paredes dormem.
As portas dormem.
As janelas dormem. Tudo dorme.
Por isso é que eu gosto tanto dela.
Gosto de olhar as coisas quando elas dormem.”

A conferência será às 18h, no auditório grande do CCET da UNIRIO – Avenida Pasteur, 458, Urca.

Entrada franca e aberta ao público!
Tem tudo para ser um grande encontro!

um dos poemas do escritor português
Escritos do escritor português

Outras informações no evento do facebook.
E conheça mais sobre o autor no Blog Gonçalo M Tavares

 

Últimos dias! A Ditadura no Brasil em exposição no CCBB

Vai até segunda-feira que vem (28/04) a Exposição “Resistir é preciso”, idealizada pelo Instituto Vladimir Herzog, em cartaz no CCBB, no centro da cidade.

Galeria com cartazes apresentados na exposição

Algumas exposições são imperdíveis, outras raras. Esta vai além, é direito/dever de todo cidadão brasileiro, pois aborda um período muito duro da nossa história: a ditadura militar que, durante 21 anos, atuou com violência e censura em nosso país. Há 50 anos o Brasil entrava nos anos de chumbo. Os reflexos desse período estão presentes até hoje, nos governos autoritários, mas também nas lutas populares.

As certidões de óbito de Wladimir Herzog
As certidões de óbito de Wladimir Herzog

A mostra conta com videodepoimentos sobre a resistência, as “Diretas Já” com participação de artistas e políticos importantes na época e ainda hoje; documentos, jornais e cartazes brasileiros e estrangeiros que pediam justiça; fotojornalismo; artes plásticas realizadas no período, algumas produzidas em cárcere; além de uma linha do tempo bem didática que aborda os principais acontecimentos de cada ano no Brasil e no mundo, e contém ainda alguns versos de músicas-símbolo da época.

Fotos de manifestações contra a ditadura, em diferentes cidades do país
Fotos de diversas manifestações contra a ditadura

Interessantes os depoimentos sobre os jornais alternativos que circulavam na época, como o do autor de novelas Agnaldo Silva falando sobre O Lampião, composto por jornalistas gays, além do O Sol (“nas bancas de revista”) entre outros. Há também cartões postais enviados de todo o mundo para jornais e para os militares então no poder, exigindo liberdade aos presos políticos e desaparecidos no Brasil. A sala-cofre guarda um tesouro, o trabalho de Hélio Oiticica em um pano onde lemos a emblemática frase “seja marginal, seja herói”. Uma exposição que precisa ser permanente.

A famosa obra de Hélio Oiticica, "Seja marginal, seja herói"
A famosa obra de Hélio Oiticica, “Seja marginal, seja herói”

Oportunidade para os que não viveram nessa época saibam o que foi feito no caminho à democracia, e para os que viveram não esqueçam. Para que não se repita.

Resistir é preciso. É preciso não esquecer.

Mais? Clique aqui.


Centro Cultural Banco do Brasil 

Rua Primeiro de Março, 66 – Centro
(21) 3808-2020
De quarta a segunda, das 9h às 21h.
Grátis 🙂