Porque ainda precisamos falar sobre o feminicídio

Sei que muitas pessoas, só de ler este título, ensaiaram um bocejo e pensaram “aii, lá vem textão mulher mimimi violência mimimi machismo”. Pois, sim. Mais um texto disso. Já se passaram mais de dois mil anos que Jesus esteve por aqui, mais tantos mil anos antes dele e ainda temos que falar sobre a morte de mulheres por elas serem… mulheres.

O México. Segundo país mais populoso e segundo maior PIB da América Latina. Uma das maiores economias do mundo e uma potência regional (palavras do wikipedia, veja aqui). Dentro do México há Ciudad Juárez, com 2,6 milhões de habitantes. Fronteira com Texas e conhecida por ser a “Faixa de Gaza mexicana”. Lá também é um polo de indústrias de tecnologia. Por lá, um computador é feito a cada cinco segundos. Um celular criado a cada dois segundos. E uma mulher morta a cada três horas.

Pode-se dizer, então, que Ciudad Juárez é um polo de indústrias de tecnologia e de feminicídio. Em Ciudad Juárez ser mulher é sentença de morte. O papa Francisco passou por lá este ano e falou sobre o número alarmante de mulheres mortas, violentadas, abusadas e agredidas por lá. (Mais sobre Ciudad Juárez aqui e aqui)

O Brasil. O país mais populoso e com maior PIB da América Latina. Uma das maiores economias do mundo e uma potência regional. Dentro do Brasil há a Ilha de Marajó, Lá, meninas de até sete anos são estupradas diariamente. A situação é tão comum que já há nome para isso: meninas balseiras (leia matéria aqui). No Brasil, uma mulher é morta a cada cinco horas.

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Cena do espetáculo “Bonecas Quebradas”, sobre o feminicídio no México

Feminicídio é algo que vai além da misoginia, criando um clima de terror que gera a perseguição e morte da mulher a partir de agressões físicas e psicológicas dos mais variados tipos, como abuso físico e verbal, estupro, tortura, escravidão sexual, espancamentos, assédio sexual, mutilação genital e cirurgias ginecológicas desnecessárias, proibição do aborto e da contracepção, cirurgias cosméticas, negação da alimentação, maternidade e esterilização forçadas.

México. Brasil. Países com realidades distintas, mas destinos iguais. Mulheres de lá e mulheres daqui convivendo com o terror da violência, do medo, da falta de perspectiva de um futuro melhor. Mas as mulheres de lá e as daqui não se calam. Se unem, gritam mais alto e mostram ao mundo essa realidade tão terrível.

Aqui no Rio está em cartaz a peça “Bonecas Quebradas”, que trata sobre os casos de Ciudad Juárez. Sobre os casos do Brasil. Sobre todas nós. Depois de assistir ao espetáculo, tive vontade que todos os homens assistissem também. Meu pai, meus professores, meus ex namorados, amigos, colegas de trabalho. Porque sinto que algumas coisas só são sentidas quando vistas de outras perspectivas. E um palco faz isso, nos dá outras visões, outras interpretações.

Todos e todas convidados. Porque estamos em 2016 e ainda precisamos falar sobre feminicídio.

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Bonecas Quebradas
Onde: Espaço Cultural Sérgio Porto – Rua Humaitá, 163.
Quando: até 22/8, quinta a segunda-feira (quinta a sab às 2h, domingo e segunda às 20h. Dia 20/8 tem sessão extra às 16h30)
Quanto: R$20 inteira / R$10 meia e lista amiga (bonecasquebradasteatro@gmail.com)

 

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